Minhas tardes na rua Bolívar

por umroteirista

Contagiado pela nostalgia do post anterior, avanço apenas alguns poucos anos, quando eu ainda era um moleque de uns sete, oito.

Nos fins de semana, eu ia pra casa da minha vó em Copacabana, bem perto da Lagoa, onde eu morava. Gostava de ir pra lá, e um dos motivos era uma máquina de escrever Olivetti Lettera que ela tinha.

Foi meu primeiro contato com a escrita. Não me lembro de escrever histórias que não fossem de mistério, de detetive, com um certo estilo noir. Só que eu tinha dificuldade em pensar na história como um todo. E, então, começava a escrever com uma ideia, mas sem saber exatamente onde iria acabar. Muitas vezes, não terminava, cansado pelos capítulos que se sucediam sem um arco dramático.

Vejo agora, escrevendo essas linhas, que me faltava uma reflexão sobre o que queria dizer, colocar no papel os pontos principais da trama antes de começar a datilografar. Se eu tivesse feito isso naquela época, poderia ter trilhado outro caminho. Tardiamente descubro que eu deveria ter feito uma escaleta, não apenas pras histórias que tentei contar, mas para a história que vivi.

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